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Projeto no Recife troca caminhadas e pedaladas por cupons para transporte por app, descontos e recompensas

Recife testa tecnologia que dá recompensas por andar a pé ou de bike Ir a pé para o trabalho ou pedalar até o mercado pode render descontos e até voucher p...

Projeto no Recife troca caminhadas e pedaladas por cupons para transporte por app, descontos e recompensas
Projeto no Recife troca caminhadas e pedaladas por cupons para transporte por app, descontos e recompensas (Foto: Reprodução)

Recife testa tecnologia que dá recompensas por andar a pé ou de bike Ir a pé para o trabalho ou pedalar até o mercado pode render descontos e até voucher para transporte por aplicativo. No Recife, uma plataforma em fase de testes transforma deslocamentos feitos a pé ou de bicicleta em créditos que podem ser trocados por recompensas. Em um mês de funcionamento, o Mova-se pelo Futuro validou 5.524 trajetos, que somam mais de 20 mil quilômetros percorridos. Mais de 3 mil pessoas já se cadastraram no projeto, que registrou 116 recompensas resgatadas. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Segundo dados divulgados pelo projeto, os deslocamentos validados somaram quase 3 mil horas e representaram uma estimativa de mais de 2,2 mil quilos de gás carbônico (CO²) que deixaram de ser emitidos, em comparação com os mesmos trajetos feitos de carro. A proposta do projeto é incentivar a chamada mobilidade ativa, reconhecendo quem escolhe caminhar ou pedalar para chegar a um destino. Ele foi implementado em parceria com a startup Bion Global, responsável pelo desenvolvimento e pela operação da solução. Segundo Marcio Rodrigues, fundador e CEO da empresa, os primeiros dados indicam que a tecnologia está sendo utilizada principalmente em deslocamentos cotidianos. “Até agora, a grande maioria dos trajetos validados aconteceu em dias úteis, com picos às 7h e às 17h, e a maior parte são deslocamentos curtos. É a mobilidade ativa sustentável de rotina: a pé e de bicicleta, sem emissão. Nosso papel é reconhecer e medir essa escolha, com tecnologia verificável”, afirma. Como funciona? Ferramenta Mova-se pelo Futuro, no Conecta Recife Pedro Alves/g1 A participação é voluntária e feita pelo Conecta Recife, aplicativo oficial da prefeitura, sem a necessidade de baixar outra ferramenta. Para começar, o usuário precisa ter uma conta na plataforma, ser maior de 18 anos e acessar a opção Mova-se pelo Futuro. Antes de sair, é preciso selecionar o meio de transporte — caminhada, bicicleta convencional ou bicicleta elétrica — e iniciar o registro do trajeto. Ao chegar ao destino, o participante encerra o percurso. O sistema utiliza o GPS para analisar as informações e verificar se o deslocamento atende aos critérios do programa. A cada 30 quilômetros percorridos em trajetos validados, o usuário recebe um crédito H3RO. Os créditos podem ser acumulados e trocados por recompensas no marketplace da plataforma. Entre os benefícios divulgados pela empresa estão o acesso a clube de descontos, redução de 20% em seguro de bicicleta e vouchers de R$ 10 para utilizar em transporte por aplicativo. A lista de recompensas pode ser ampliada com a entrada de novas empresas parceiras. Apesar de registrar percursos feitos a pé ou de bicicleta, o sistema não funciona como um aplicativo de atividades físicas. Para gerar créditos, o trajeto precisa ter uma finalidade prática de deslocamento, como ir de casa para o trabalho, da faculdade para casa ou até um estabelecimento comercial. Caminhadas para fazer exercício, corridas e pedaladas esportivas ou de lazer não são consideradas pelo programa. Isso porque o objetivo é incentivar viagens que poderiam ser feitas com outros meios de transporte, especialmente os movidos a combustíveis que emitem gases de efeito estufa. “O que a gente quer é, em vez de ir para a academia de carro, vá andando. Quem conseguir ir para o trabalho de bicicleta ou a pé, faça isso. E a ideia é justamente que a gente consiga bonificar esses bons hábitos”, explica Viviane Kawashima secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação da prefeitura. Segundo a secretária, o algoritmo considera fatores como a distância percorrida, o tempo gasto, a velocidade média e os pontos de início e fim do percurso. Uma caminhada circular, por exemplo, que começa e termina no mesmo lugar, pode ser recusada por não apresentar o padrão esperado de um deslocamento entre destinos. Ela ressalta, no entanto, que o sistema está em fase de experimentação e pode apresentar distorções. Um carro preso no trânsito e circulando em baixa velocidade, por exemplo, pode ter um trajeto aprovado indevidamente. Durante os testes, a empresa recebe comentários e ajusta o algoritmo para aprimorar a validação. "“Ele vai avaliar, basicamente, a distância que você percorreu, o tempo do trajeto e aí ele considera também a velocidade média. Então, baseado nos modais que são aceitos pela plataforma, que é a caminhada e o uso de bicicleta, seja elétrica ou normal, é que ele consegue ver a velocidade média. Como é via algoritmo, podem acontecer situações de ter uma distorção ou de ele aprovar um trajeto que não tenha sido efetuado por bicicleta", explicou. Tecnologia é testada durante um ano Ciclista no Recife, em imagem de arquivo Hélia Scheppa/Divulgação O Mova-se pelo Futuro foi selecionado por meio do Programa EITA Labs, iniciativa de inovação aberta da prefeitura. A solução está sendo testada num ambiente que permite avaliar tecnologias em situações reais antes de uma eventual expansão. A experiência terá duração de um ano, período em que serão avaliados o funcionamento da tecnologia, o comportamento dos participantes, as recompensas que mais despertam interesse e o potencial da plataforma para incentivar deslocamentos sustentáveis. Segundo o CEO da Bion, a ideia nasceu junto com a startup, em 2020, a partir de uma pergunta: "e se quem faz a coisa certa pela cidade e pelo planeta fosse recompensado por isso?". O que faltava, segundo ele, era uma forma confiável de provar cada ação e mostrar em escala o resultado delas. "A gente identificou que Recife era o cenário ideal para o teste: tem desafios sérios de mobilidade, uma área praticamente toda plana, boa para caminhar e pedalar, e um povo que costuma abraçar e participar de programas socioambientais. É uma capital populosa, com economia pujante, e, ao mesmo tempo, turística, uma vitrine para o mundo. O que funcionar aqui tem tudo para funcionar em outros lugares", afirmou. Segundo Viviane Kawashima, o modelo permite que empresas experimentem suas soluções na cidade e avaliem o funcionamento e a adesão do público sem gerar custos para a prefeitura. Um exemplo de tecnologia testada nesse formato é a de aluguel de patinetes elétricos. "O cidadão não precisa pagar nada para poder aderir à plataforma. Não precisa baixar um novo aplicativo, porque tudo isso é uma premissa do nosso 'sandbox digital'. A gente não quer que as pessoas utilizem mais um aplicativo. Então, tudo precisa ser embarcado dentro do próprio Conecta", disse. Ao final do período, a cidade deverá receber um relatório com os resultados da experiência e dados sobre mobilidade ativa que poderão ajudar na elaboração de políticas públicas voltadas a quem caminha e pedala pelo Recife. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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