ICMBio faz campanha para proteger caranguejo-amarelo em Fernando de Noronha durante período de reprodução
Campanha busca proteger caranguejo-amarelo em Noronha durante período de reprodução O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) inic...
Campanha busca proteger caranguejo-amarelo em Noronha durante período de reprodução O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) iniciou uma campanha em Fernando de Noronha para evitar atropelamentos, captura ilegal e danos ao habitat do caranguejo-amarelo. A espécie, chamada cientificamente de Johngarthia lagostoma, está ameaçada de extinção e enfrenta agora o período mais vulnerável do ano. Entre dezembro e abril, os caranguejos deixam as tocas para se reproduzir. Esse deslocamento é conhecido como “andada” (veja vídeo acima). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Caranguejo-amarelo está no período de reprodução Anders Jensen Schmidt/Acervo pessoal Durante esse período, as fêmeas liberam as larvas no mar. Segundo especialistas, cada uma pode soltar mais de 200 mil larvas, fundamentais para a sobrevivência da espécie. A captura do caranguejo-amarelo é proibida. Quem descumprir a regra pode ser multado em R$ 5 mil por animal. Como Fernando de Noronha é uma unidade de conservação, o valor da multa é dobrado. Recomendações O ICMBio divulgou, nas redes sociais, recomendações para moradores e turistas ajudarem na proteção do caranguejo-amarelo: Caso um caranguejo entre em casa, faça a remoção com cuidado; Ao dirigir, reduza a velocidade para evitar atropelamentos; Não interrompa o percurso dos animais durante a migração. Apesar do nome, o caranguejo-amarelo também pode apresentar coloração laranja, roxa ou vermelha. Importância da preservação O pesquisador Anders Jensen Schmidt, professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), destacou a importância da preservação da espécie. “O animal parece abundante em Noronha, mas a espécie existe em poucos lugares do mundo. Além da ilha, só é encontrada no Atol das Rocas, em Trindade e na Ilha de Ascensão (Reino Unido). Por isso, é considerada muito rara. Se for comprometida, pode desaparecer globalmente”, explicou. Os caranguejos-amarelos vivem em tocas individuais. Segundo o pesquisador, durante a migração, mais de um animal pode ocupar o mesmo espaço. “No período reprodutivo, os casais precisam se encontrar. Por isso, eles saem das matas e seguem em direção às praias e áreas rochosas, em um movimento chamado de andada”, disse Schmidt. O especialista também alertou que o crescimento urbano em Fernando de Noronha tem provocado perdas para a espécie. “Há redução do habitat. Na ilha, aumentou o número de casas e pousadas, que ocupam áreas antes usadas pelos caranguejos. Além disso, os caminhos até a praia estão sendo bloqueados. Para chegar ao mar, esses animais precisam atravessar áreas urbanas, onde ficam mais vulneráveis”, alertou Schmidt. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias