cover
Tocando Agora:

Estudantes de colégio tradicional fazem festa com tema 'Deu a louca no Morro' e evento gera críticas e debate sobre 'racismo recreativo'

Estudantes de colégio tradicional no Recife fazem festa com tema 'Deu a Louca no Morro' Vídeos sobre uma festa organizada por duas comissões de formatura de ...

Estudantes de colégio tradicional fazem festa com tema 'Deu a louca no Morro' e evento gera críticas e debate sobre 'racismo recreativo'
Estudantes de colégio tradicional fazem festa com tema 'Deu a louca no Morro' e evento gera críticas e debate sobre 'racismo recreativo' (Foto: Reprodução)

Estudantes de colégio tradicional no Recife fazem festa com tema 'Deu a Louca no Morro' Vídeos sobre uma festa organizada por duas comissões de formatura de estudantes de uma das escolas mais tradicionais do Recife geraram polêmica por reproduzirem comportamentos apontados como "racismo recreativo". O evento, chamado de "Deu a louca no morro", reuniu alunos do Colégio Damas vestindo "looks" que, segundo ativistas, reproduzem estereótipos de pessoas negras e que moram na periferia. A escola disse que não teve conhecimento prévio da festa, que, segundo a instituição, foi organizado de forma privada por estudantes (veja detalhes da nota mais abaixo). Já a comissão responsável pelo evento afirmou que "jamais houve intenção de desrespeito". ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Nas imagens que circulam no Instagram, adolescentes aparecem sugerindo “looks” para serem usados na festa. Com camisas de times de futebol, colares dourados e óculos do tipo “juliet”, os estudantes mostram opções de estilo para a comemoração (veja vídeo acima). O caso veio à tona após uma publicação da jornalista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Fabiana Moraes. "Nela [na festa], as pessoas foram fantasiadas de... gente favelada, moradora de encostas, galerosa. (...) O que pensar quando um grupo de educadores/as não vê problema no racismo recreativo? A escola não tinha nenhum conhecimento? Em um local de vasta maioria branca perfomar o que seria o cotidiano de locais de uma vasta maioria preta?", pontuou a jornalista. O tema do evento também foi criticado pela deputada Dani Portela (PSOL). "Uma das modalidades da prática de racismo é o racismo recreativo. É quando o racismo é praticado como piada, como meme, como brincadeira, que foi o que aconteceu nessa festa 'deu a louca no morro'. Estigmatizando pessoas negras, periféricas, faveladas, uma festa de maioria de alunos brancos", disse. Críticas de ativistas Festa “Deu a Louca no Morro”, organizada por estudantes de colégio católico no Recife, gera críticas nas redes sociais. Reprodução/Instagram A assistente social e ativista do movimento negro Raline Almeida também comentou o caso. Para ela, a escola tem um papel importante na formação crítica dos estudantes e na reflexão sobre estereótipos que contribuem para a discriminação e a manutenção de desigualdades. "Qual o papel da escola nesse processo? Seria justamente de trazer a reflexão. Quando a gente estereotipa, contribui para a estereotipagem de pessoas que são alvo da discriminação, do preconceito, da violência, a gente está contribuindo para manter essa situação de desigualdade", disse. Raline afirmou, ainda, que a população negra historicamente foi colocada em posições de exclusão social e marginalização. Segundo ela, discutir episódios como esse vai além do que muitas vezes é tratado como “mimimi”. "As pessoas negras, historicamente, foram, dentro da dinâmica da desigualdade social, colocadas num espaço de exclusão, de marginalidade (...) Quando a gente reflete em cima desse tema, a gente está indo para além do que se convencionou chamar de 'mimimi', que é a tentativa de inferiorizar a crítica", disse. LEIA TAMBÉM: Festa de formatura acaba em agressões e bate-boca generalizado; VÍDEO A ativista também destacou que situações como essa são passíveis de debate público e envolvem diferentes visões dentro da sociedade. "Acho que tudo que acontece na sociedade é passível de crítica e reflexão. Nesse caso, tanto do teor de se achar normal, bacana, reforçar um estereótipo da população negra, marginalizada, pobre e periférica, como parte da sociedade que se levanta e problematiza isso. [Ao mesmo tempo, há] a parcela da população que diz que isso é comum, que não gera impacto negativo porque é só uma brincadeira", afirmou. O que dizem colégio e comissão Procurado, o Colégio Damas informou, por meio de nota (veja na íntegra mais abaixo) que o evento foi organizado de forma privada por estudantes, fora do ambiente escolar e sem qualquer vínculo institucional ou participação da escola em sua concepção, organização ou divulgação. A nota diz ainda que: A instituição não teve conhecimento prévio da realização da festa; A escola é uma instituição confessional católica que orienta suas atividades pelos valores do respeito, da dignidade humana, repudiando qualquer forma de discriminação, preconceito ou discurso de ódio; Reconhece a importância e a sensibilidade do debate público sobre temas relacionados ao preconceito e ao racismo e reafirmamos nosso compromisso permanente com a formação ética, humana e cidadã; Permanecem abertos ao diálogo construtivo e continuaremos trabalhando para promover um ambiente educacional pautado pelo respeito, pela empatia e pelos valores cristãos que norteiam a missão do Colégio Damas. Já a comissão responsável pela "Deu a louca no morro" disse que o evento não foi concebido como festa à fantasia e não teve como objetivo representar de forma caricatural ou depreciativa qualquer grupo social. Em nota, o grupo diz o seguinte sobre o evento: Foi uma iniciativa privada, organizada por estudantes concluintes e sem vínculo institucional com o Colégio Damas; Não teve participação da escola, nem de professores, coordenadores, gestores ou outros colaboradores; Não foi concebido como festa à fantasia nem teve objetivo de representar de forma caricatural qualquer grupo social; Teve como proposta um momento de convivência entre estudantes, com referências estéticas ligadas aos bailes de funk e ao universo do brega funk; “Jamais teve intenção de ridicularizar, inferiorizar ou ofender” pessoas ou grupos socialmente vulnerabilizados; Defende que conceitos como racismo e discriminação devem ser tratados com responsabilidade, evitando interpretações precipitadas nas redes sociais; Afirma compromisso com respeito, diversidade, dignidade humana e convivência democrática, repudiando qualquer forma de preconceito; Pede que o debate sobre o caso seja conduzido com serenidade e análise do contexto dos fatos. Veja, na íntegra, a nota enviada pelo Colégio Damas: "Diante das publicações que vêm circulando nas redes sociais sobre uma festa associada a alunos da instituição, o Colégio Damas vem a público prestar os seguintes esclarecimentos. O evento mencionado foi organizado de forma privada por estudantes, fora do ambiente escolar e sem qualquer vínculo institucional ou participação da escola em sua concepção, organização ou divulgação. A instituição não teve conhecimento prévio da realização da referida festa. Também destacamos a necessidade de responsabilidade no tratamento de informações que envolvem adolescentes, evitando ataques que possam gerar exposição indevida de menores. A escola é uma instituição confessional católica que orienta suas atividades pelos valores do respeito, da dignidade humana, repudiando qualquer forma de discriminação, preconceito ou discurso de ódio. Reconhecemos a importância e a sensibilidade do debate público sobre temas relacionados ao preconceito e ao racismo e reafirmamos nosso compromisso permanente com a formação ética, humana e cidadã. Permanecemos abertos ao diálogo construtivo e continuaremos trabalhando para promover um ambiente educacional pautado pelo respeito, pela empatia e pelos valores cristãos que norteiam a missão do Colégio Damas." ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Fale Conosco