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Apartamento onde crianças morreram queimadas era cheio de entulho e eletrônicos: 'Não sei como não aconteceu antes', diz perito

Duas crianças morrem tentando fugir de incêndio no residencial Ignêz Andreazza A perícia realizada no apartamento em que duas crianças morreram queimadas i...

Apartamento onde crianças morreram queimadas era cheio de entulho e eletrônicos: 'Não sei como não aconteceu antes', diz perito
Apartamento onde crianças morreram queimadas era cheio de entulho e eletrônicos: 'Não sei como não aconteceu antes', diz perito (Foto: Reprodução)

Duas crianças morrem tentando fugir de incêndio no residencial Ignêz Andreazza A perícia realizada no apartamento em que duas crianças morreram queimadas indicou que os proprietários do imóvel eram acumuladores de eletrodomésticos e eletrônicos. A tragédia aconteceu na madrugada desta quinta-feira (19), no Residencial Ignêz Andreazza, no bairro de Areias, na Zona Oeste do Recife (veja vídeo acima). As autoridades acreditam que o fogo começou perto da porta do quarto das crianças, que tinham 9 e 11 anos. Os dois meninos tentaram escapar pela janela, mas havia uma grade protegendo o cômodo. Eles morreram sentados sobre a estrutura. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Segundo o perito André Amaral, foram encontrados muitos equipamentos eletrônicos no local. Um dos moradores era técnico de eletrônica e havia muito entulho e produtos espalhados por todos os cantos do apartamento. "Muito entulho, você tem que sair por cima derrubando geladeira, televisão. A gente passou por cima de televisão, muito material eletrônico. Acumulador mesmo. [...] Os moradores deveriam denunciar. Não dá para dizer se foi criminoso, mas tem culpa nessa situação", disse. O perito também afirmou que, sem ação rápida dos bombeiros no controle das chamas, o estrago poderia ser maior. "O local é totalmente irregular, cheio de entulho acumulado, e há um risco iminente de incêndio. Na situação que estava, não sei como não aconteceu antes. Se não fosse a equipe do Corpo de Bombeiros ali, o prédio viria abaixo", afirmou o perito. Todos os feridos moravam no apartamento e são da mesma família: Rodrigo Magalhães de Lira Júnior, de 11 anos, que morreu; Antônio Emanuel de Paula Magalhães, de 9 anos, que também morreu; Rodrigo Magalhães, de 39 anos, pai dos meninos; Polianna de Paula, de 44 anos, mãe das crianças; Um homem de 78 anos que não teve o nome divulgado. Os adultos foram encaminhados ao Hospital da Restauração, no Derby, no Centro do Recife. Os bombeiros disseram que eles não tinham ferimentos visíveis, mas inalaram bastante fumaça. A unidade de saúde informou que, após atendimento médico, o pai recebeu alta na manhã desta terça-feira (17), mas a mãe e o idoso ficaram internados. Uma terceira criança, de 5 anos, irmã dos meninos que morreram, também estava no apartamento no momento do incêndio. Ela não se feriu e ficou sob os cuidados dos vizinhos enquanto os pais foram encaminhados ao hospital. Rodrigo e Antônio Magalhães morreram no incêndio em apartamento no Residencial Ignêz Andreazza Reprodução/Instagram Vídeos do momento do incêndio foram encaminhados ao Canal Globo, mas não serão divulgados, porque as imagens são fortes. Eles mostram as crianças sentadas na grade, já mortas, após terem tentado fugir das chamas. Outras imagens também mostram os corpos pegando fogo. A tragédia aconteceu no Bloco 342, que fica no Módulo 1 do residencial, próximo à Rua Tapajós. Construído em 1983, o Ignêz Andreazza é o maior conjunto residencial da América Latina. Por causa da quantidade de entulhos, ainda não não foi possível precisar o que causou o incêndio. Porém, ao que indica a perícia, o foco das chamas começou próximo à porta do quarto onde as duas crianças que morreram estavam. Além do imóvel afetado pelas chamas, um apartamento do terceiro andar, que fica em cima do que pegou fogo, foi interditado pela Defesa Civil. Os bombeiros e a perícia indicaram que havia rachaduras no local após o incêndio. "É tanto entulho que você não tem elementos para dizer exatamente onde começou. [...] Muita fumaça, quando a gente entrou estava muito quente ainda. Tem celular tocando ainda lá dentro, para você ver. Depois do incêndio, tem celular tocando. Tem tanto material eletrônico lá que qualquer coisa era fonte de incêndio iminente", contou André Amaral. Incêndio atingiu apartamento no segundo andar em bloco do Residencial Ignêz Andreazza, no Recife Everaldo Silva/TV Globo O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Paulo Roberto também confirmou a presença de muito material eletrônico dentro do apartamento. De acordo com ele, as crianças ficaram encurraladas pelas chamas dentro do quarto. "O pessoal conteve essa questão do incêndio que estava no local. Se ele se alastrasse para a sala, seria até pior a situação. O que foi observado pela equipe que chegou primeiro é que as crianças estavam no quarto, sem condições de sair", contou o tenente-coronel. A Polícia Civil iniciou as investigações e registrou o caso por meio da Central de Plantões da Capital, que fica no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife. O que diz o condomínio Residencial Ignêz Andreazza fica no bairro de Areias, na Zona Oeste do Recife Reprodução/TV Globo Em nota assinada pelo advogado André Frutuoso de Paula, o Residencial Ignêz Andreazza disse que: "manifesta profundo pesar pelo trágico incêndio [...], solidarizando-se com os familiares das vítimas e com toda a comunidade condominial"; "neste momento de dor, o condomínio se une em luto, reconhecendo o impacto humano do ocorrido e reafirmando seu respeito e apoio a todos os atingidos"; segundo informações preliminares, o incêndio "foi identificado durante a madrugada pelas equipes de vigilância interna"; os rondantes de plantão atuaram "imediatamente com os recursos disponíveis, inclusive extintores, na tentativa de contenção das chamas até a chegada do Corpo de Bombeiros"; "o fogo já apresentava elevada intensidade no momento da intervenção"; "desde os primeiros instantes, os serviços de emergência foram acionados"; houve "apoio inicial no local dentro das limitações operacionais do condomínio e em conformidade com os protocolos de segurança"; "está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração das circunstâncias, origem e causas do incêndio"; "em respeito às vítimas e ao devido processo investigativo, não serão emitidas conclusões antecipadas neste momento"; "paralelamente, serão adotadas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições, inclusive para avaliação de medidas adicionais de prevenção e segurança"; está "à disposição das autoridades e moradores para prestar os esclarecimentos necessários, reafirmando seu compromisso com a segurança, a transparência e o cuidado com as pessoas". 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